segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Resenha Descompromissada do Novo Disco do DT


Saudações aos internautas,


Não tenho pretensão a nada demais, mas vamos lá.


IMPRESSÕES GERAIS


Pois bem, sei que vai ser polêmico, mas devo ser sincero. Não é o pior álbum. Nem digo que ele é ruim. Ouço tranquilamente. Mas creio que seja nitidamente inferior aos grandes álbuns (Scenes, I&W, Awake...), disputando no máximo com os três anteriores, sendo que talvez até perca para eles. É minha impressão e vou justificar.

Antes de tudo, percebam que minha crítica não terá tanto a ver com a saída de Portnoy, mas sim com o que a banda tem feito nos últimos três, quatro ou até cinco álbuns.

Até o Octavarium, que nem é um dos meus preferidos, eu costumava dizer que uma das coisas mais impressionantes no DT era que cada álbum era muitíssimo diferente do anterior. Ainda que o nível variasse, dava pra ver criatividade e novos caminhos de alto nível. A banda era uma espécie de “Stanley Kubrick” da música – por mais que analogias sejam sempre complicadas.

No entanto, tenho notado, não só no ADTOF – mas talvez principalmente neste -, que a repetição tem crescido desde então. Gosto das melodias e riffs dramáticos e mesmo da pretensão e ousadia épica de algumas músicas desse período, mesmo que muitas delas devessem ser mais curtas. O caso é que esse recurso tem sido a tônica há muito tempo. Isso realmente causa certo cansaço. Uma falta de inovação. Creio que um novo álbum deve significar justamente algo novo, não mais do mesmo. Mais do mesmo eu espero de outras grandes bandas, mas não do DT, uma das minhas TOP 5, TOP3 ou possivelmente TOP 1. (Sou extremamente exigente com o DT)

Eu sempre gostei bastante de Portnoy, mas quando ele saiu, não nego que tive a esperança de que as coisas mudassem um pouco nesse clima “dark” da banda, que, repito, acho bom, mas creio que poderiam superá-lo e continuar nos surpreendendo. Música é criatividade. E sei que os membros do DT têm muita.

O ADTOF, como não poderia deixar de ser em qualquer álbum do DT, é um cd melhor de ouvir que a grande maioria dos lançamentos do rock/metal. Possui momentos fantásticos e que até acenam com essa possibilidade que venho torcendo há alguns anos. Mas me parece mais um trabalho pouco surpreendente da banda, no sentido de repetitivo. Inclusive várias melodias e até mesmo harmonias lembram discos anteriores, o que não seria tanto um problema se, ao menos, as partes originais compensassem.

Se eu ainda gostava da maioria das linhas vocais, por exemplo, do SC (álbum que ao menos era ousado e que até gostei) e do BC&SL (creio que, apesar das músicas exageradamente longas, talvez um pouco acima do ADTOF, por mais que discordem de mim), verdade é que o vocal do ADTOF nem inova nem avança nesse sentido. O clima “deprê” de várias músicas do DT por vezes gera algumas melodias belas (vide Sacrificed Sons). Desta vez, houve mais erros que acertos. Não posso dizer que tive vontade de cantar as músicas do álbum ou algo parecido. E as baladas não dão sequer uma “Wither”, que nem é a melhor lenta. Enfim, pouca inspiração que justifique um disco novo do DT (talvez de outra banda).

Houve quem enxergasse certo retorno às origens com o ADTOF. Não acho. O que percebi da saída e Portnoy foi que um pouco menos de “metal” digamos. Ocorre que o problema nunca foi o peso das músicas. Muitas faixas estão “leves”, mas nada que você já não tenha vista mais brilhantemente executado em outras obras da banda.

Creio que a única música que realmente me chamou bastante a atenção nesse cd foi “Breaking All Illusions". Quem dera as demais tivessem a coragem desta, pois são muito irregulares. “Outcry”, por exemplo, tem ótimos momentos, mas mesmo seu bom instrumental não é tão inspirado quanto outros até mais longos do DT. Às vezes me pergunto se não seria bom realmente a banda dar um tempo e preparar uma espécie de super álbum de volta. Mas vamos ao “faixa-a-faixa”:


1. "On the Backs of Angels” 8:46

A música tem bela introdução. É realmente uma boa faixa para abrir o cd, apesar de alguns trechos quase que copiados de outros álbuns. Assim, embora não seja nada propriamente inovador, a música não é ruim. Temos talvez a linha vocal mais interessante, mas não é comparável a várias que o DT já fez. Enfim, até havia criado certa expectativa a partir de OTBoA. Se for pra dar nota... 7.

2. "Build Me Up, Break Me Down” 6:59

Tem apenas algumas partes boas que poderiam ser aproveitadas de outras formas, mas é inferior ao padrão DT de qualidade. Pelo menos a música é razoavelmente diferente em relação aos últimos álbuns, mas nada muito inspirado. Lembra em alguns momentos oFalling Into Infinity. Talvez a faixa não me incomodasse se o resto do álbum fosse ótimo. Se for pra dar uma nota... 6.

3. "Lost Not Forgotten” 10:11

Introdução fantástica! Parecia que eu estava diante de uma “masterpiece”. Tanto o teclado quanto a guitarra. É o típico começo que, por mais que possua trechos que lembram outros álbuns, possui certa autonomia.

O que se segue também é bom, mas certamente menos original. A música começa a apresentar várias passagens claramente “sombra do passado”. Ao menos não-cansativas, é verdade.

A parte instrumental não deixa de ser interessante e com algumas partes originais. Ademais, Petrucci dá um show na guitarra. Ta aí uma coisa que se repete, mas não incomoda: a competência do guitarrista.

Eu diria que é talvez a segunda melhor música do álbum, mas prometia mais. Outro aspecto positivo é que um erro muito comum no BCeSL não é repetido, qual seja, músicas com mais de catorze minutos quando só precisavam ter de oito a onze. Bem, se for pra dar uma nota... 8.

4. "This is the Life” 6:57

Algumas partes dessa música são muito bonitas, como, por exemplo, as intervenções de Petrucci. O baixo também se destaca em alguns momentos. Foi meio que um desperdício de boas idéias/intervenções, pois a linha vocal e o refrão me pareceram excessivamente “pop”. Gosto de muitas músicas “calmas” do DT, mas esta é, digamos, por demais irregular. Chega a ser chata em alguns momentos. Òbvio que ela é melhor que muitas músicas de rock do mesmo estilo, mas também inferior ao padrão DT. Se for pra dar uma nota... 6,5.

5. "Bridges in the Sky” 11:01

Nada contra o “arroto” que abre a música e o “canto dos anjos”, mas se a promessa era tornar a música uma épico/clássico, não funcionou. Gostei do riff e de alguns trechos, mas, pra usar um chavão, a música não decola. Temos a típica linha vocal/melódica “eu já ouvi isso em algum disco passado (e era até melhor muitas vezes)”. Creio que poderia ser uma faixa muito boa se mais trabalhada. Uma dica é lembrar alguns momentos de “Home”, por exemplo, e perceber o que falta a essa música - Bridges in the Sky - mesmo em uma de suas melhores partes, que é a instrumental. Faltou, sobretudo, originalidade. Enfim, legalzinha, mas for pra dar uma nota... 6,5.

6. "Outcry” 11:24

Mais um bom começo. Não exatamente original, mas longe de ser chato como em algumas “sombras” de outros momentos do disco. A linha vocal mais uma vez não é exatamente inspirada. Não estou dizendo que LaBrie não está cantando bem, pois acho que ele inclusive acertou em diminuir a gritaria que, em alguns momentos de outros discos, era desnecessária. Só sinto falta dos refrões e passagens empolgantes de outros cd’s, como se o processo de escolha/composição melódica tivesse ficado um tanto apressado. Qualquer fã certamente conhece uns trinta trabalhos mais felizes do próprio James. Outcry, entretanto, tem talvez a melhor parte instrumental longa do álbum e realmente concorre com outras grandes “inspirações instrumetais” do DT, por mais que seja meio “filha” destas. Claro que sempre vai ter alguém pra achar chato – como tem louco que não gosta de The Dance of Eternity -, mas acredito que a grande maioria dos fãs vai gostar. Enfim, o instrumental salva a irregular música e a transforma numa das melhores. Não deixa de ser uma pena, pois poderia ser a melhor. Se for pra dar nota... 8.

7. "Far from Heaven” 3:56

É bonitinha, mas o DT já fez diversas melhores nesse estilo. Dificilmente um fã vai preferir a melodia desta música a de “Wait For Sleep” por exemplo. O arranjo de Rudess é interessante, mas o conjunto da obra também ficou inferior ao padrão DT. Se for pra dar nota... 6.

8. "Breaking All Illusions” 12:25

A meu ver, a melhor música do álbum. Com partes extremamente inspiradas e diferentes do que vem sendo feito pelo DT nos últimos anos. O baixo de Myung aparece de forma muito interessante (aliás, coincidência ou não, quase sempre que dão um espaçozinho pra ele... tome música boa). O refrão não é nível top, mas também não é cansativo. Aqui também mais um solo fantástico de Petrucci, com a diferença de ser até mais original que muitos dos anteriores. Se é verdade que o DT possui algumas poucas músicas melhores, também o é que “Breaking All Illusions” é possivelmente umas das top 10 ou 15. E isso quer dizer muito. Se for pra dar uma nota... 9.

9. "Beneath the Surface” 5:26

É mais ou menos o mesmo caso de “Far from Heaven”. Nada contra as lentas do DT, mas não está no nível das antigas. Talvez fosse melhor fechar o cd, em grande estilo, com “Breaking All Illusions”. Se for pra dar uma nota... 6.

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É isso. Repito que não acho o álbum ruim ou algo do tipo. Mas acho que o DT deve prezar menos pela quantidade de músicas e preferir arriscar golpes mais certeiros, digamos assim, pois qualidade eles têm. Enfim, mais um disco aquém do esperado.

Respeitosamente,

Sr. José

(PS: acabo de escutar novamente o "Images & Words". Tem nem comparação. É outra banda)

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