sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Coisa Que Fascistas "Modernos" Ainda Pensam
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Resenha Descompromissada do Novo Disco do DT
Saudações aos internautas,
Não tenho pretensão a nada demais, mas vamos lá.
IMPRESSÕES GERAIS
Pois bem, sei que vai ser polêmico, mas devo ser sincero. Não é o pior álbum. Nem digo que ele é ruim. Ouço tranquilamente. Mas creio que seja nitidamente inferior aos grandes álbuns (Scenes, I&W, Awake...), disputando no máximo com os três anteriores, sendo que talvez até perca para eles. É minha impressão e vou justificar.
Antes de tudo, percebam que minha crítica não terá tanto a ver com a saída de Portnoy, mas sim com o que a banda tem feito nos últimos três, quatro ou até cinco álbuns.
Até o Octavarium, que nem é um dos meus preferidos, eu costumava dizer que uma das coisas mais impressionantes no DT era que cada álbum era muitíssimo diferente do anterior. Ainda que o nível variasse, dava pra ver criatividade e novos caminhos de alto nível. A banda era uma espécie de “Stanley Kubrick” da música – por mais que analogias sejam sempre complicadas.
No entanto, tenho notado, não só no ADTOF – mas talvez principalmente neste -, que a repetição tem crescido desde então. Gosto das melodias e riffs dramáticos e mesmo da pretensão e ousadia épica de algumas músicas desse período, mesmo que muitas delas devessem ser mais curtas. O caso é que esse recurso tem sido a tônica há muito tempo. Isso realmente causa certo cansaço. Uma falta de inovação. Creio que um novo álbum deve significar justamente algo novo, não mais do mesmo. Mais do mesmo eu espero de outras grandes bandas, mas não do DT, uma das minhas TOP 5, TOP3 ou possivelmente TOP 1. (Sou extremamente exigente com o DT)
Eu sempre gostei bastante de Portnoy, mas quando ele saiu, não nego que tive a esperança de que as coisas mudassem um pouco nesse clima “dark” da banda, que, repito, acho bom, mas creio que poderiam superá-lo e continuar nos surpreendendo. Música é criatividade. E sei que os membros do DT têm muita.
O ADTOF, como não poderia deixar de ser em qualquer álbum do DT, é um cd melhor de ouvir que a grande maioria dos lançamentos do rock/metal. Possui momentos fantásticos e que até acenam com essa possibilidade que venho torcendo há alguns anos. Mas me parece mais um trabalho pouco surpreendente da banda, no sentido de repetitivo. Inclusive várias melodias e até mesmo harmonias lembram discos anteriores, o que não seria tanto um problema se, ao menos, as partes originais compensassem.
Se eu ainda gostava da maioria das linhas vocais, por exemplo, do SC (álbum que ao menos era ousado e que até gostei) e do BC&SL (creio que, apesar das músicas exageradamente longas, talvez um pouco acima do ADTOF, por mais que discordem de mim), verdade é que o vocal do ADTOF nem inova nem avança nesse sentido. O clima “deprê” de várias músicas do DT por vezes gera algumas melodias belas (vide Sacrificed Sons). Desta vez, houve mais erros que acertos. Não posso dizer que tive vontade de cantar as músicas do álbum ou algo parecido. E as baladas não dão sequer uma “Wither”, que nem é a melhor lenta. Enfim, pouca inspiração que justifique um disco novo do DT (talvez de outra banda).
Houve quem enxergasse certo retorno às origens com o ADTOF. Não acho. O que percebi da saída e Portnoy foi que um pouco menos de “metal” digamos. Ocorre que o problema nunca foi o peso das músicas. Muitas faixas estão “leves”, mas nada que você já não tenha vista mais brilhantemente executado em outras obras da banda.
Creio que a única música que realmente me chamou bastante a atenção nesse cd foi “Breaking All Illusions". Quem dera as demais tivessem a coragem desta, pois são muito irregulares. “Outcry”, por exemplo, tem ótimos momentos, mas mesmo seu bom instrumental não é tão inspirado quanto outros até mais longos do DT. Às vezes me pergunto se não seria bom realmente a banda dar um tempo e preparar uma espécie de super álbum de volta. Mas vamos ao “faixa-a-faixa”:
1. "On the Backs of Angels” 8:46
A música tem bela introdução. É realmente uma boa faixa para abrir o cd, apesar de alguns trechos quase que copiados de outros álbuns. Assim, embora não seja nada propriamente inovador, a música não é ruim. Temos talvez a linha vocal mais interessante, mas não é comparável a várias que o DT já fez. Enfim, até havia criado certa expectativa a partir de OTBoA. Se for pra dar nota... 7.
2. "Build Me Up, Break Me Down” 6:59
Tem apenas algumas partes boas que poderiam ser aproveitadas de outras formas, mas é inferior ao padrão DT de qualidade. Pelo menos a música é razoavelmente diferente em relação aos últimos álbuns, mas nada muito inspirado. Lembra em alguns momentos oFalling Into Infinity. Talvez a faixa não me incomodasse se o resto do álbum fosse ótimo. Se for pra dar uma nota... 6.
3. "Lost Not Forgotten” 10:11
Introdução fantástica! Parecia que eu estava diante de uma “masterpiece”. Tanto o teclado quanto a guitarra. É o típico começo que, por mais que possua trechos que lembram outros álbuns, possui certa autonomia.
O que se segue também é bom, mas certamente menos original. A música começa a apresentar várias passagens claramente “sombra do passado”. Ao menos não-cansativas, é verdade.
A parte instrumental não deixa de ser interessante e com algumas partes originais. Ademais, Petrucci dá um show na guitarra. Ta aí uma coisa que se repete, mas não incomoda: a competência do guitarrista.
Eu diria que é talvez a segunda melhor música do álbum, mas prometia mais. Outro aspecto positivo é que um erro muito comum no BCeSL não é repetido, qual seja, músicas com mais de catorze minutos quando só precisavam ter de oito a onze. Bem, se for pra dar uma nota... 8.
4. "This is the Life” 6:57
Algumas partes dessa música são muito bonitas, como, por exemplo, as intervenções de Petrucci. O baixo também se destaca em alguns momentos. Foi meio que um desperdício de boas idéias/intervenções, pois a linha vocal e o refrão me pareceram excessivamente “pop”. Gosto de muitas músicas “calmas” do DT, mas esta é, digamos, por demais irregular. Chega a ser chata em alguns momentos. Òbvio que ela é melhor que muitas músicas de rock do mesmo estilo, mas também inferior ao padrão DT. Se for pra dar uma nota... 6,5.
5. "Bridges in the Sky” 11:01
Nada contra o “arroto” que abre a música e o “canto dos anjos”, mas se a promessa era tornar a música uma épico/clássico, não funcionou. Gostei do riff e de alguns trechos, mas, pra usar um chavão, a música não decola. Temos a típica linha vocal/melódica “eu já ouvi isso em algum disco passado (e era até melhor muitas vezes)”. Creio que poderia ser uma faixa muito boa se mais trabalhada. Uma dica é lembrar alguns momentos de “Home”, por exemplo, e perceber o que falta a essa música - Bridges in the Sky - mesmo em uma de suas melhores partes, que é a instrumental. Faltou, sobretudo, originalidade. Enfim, legalzinha, mas for pra dar uma nota... 6,5.
6. "Outcry” 11:24
Mais um bom começo. Não exatamente original, mas longe de ser chato como em algumas “sombras” de outros momentos do disco. A linha vocal mais uma vez não é exatamente inspirada. Não estou dizendo que LaBrie não está cantando bem, pois acho que ele inclusive acertou em diminuir a gritaria que, em alguns momentos de outros discos, era desnecessária. Só sinto falta dos refrões e passagens empolgantes de outros cd’s, como se o processo de escolha/composição melódica tivesse ficado um tanto apressado. Qualquer fã certamente conhece uns trinta trabalhos mais felizes do próprio James. Outcry, entretanto, tem talvez a melhor parte instrumental longa do álbum e realmente concorre com outras grandes “inspirações instrumetais” do DT, por mais que seja meio “filha” destas. Claro que sempre vai ter alguém pra achar chato – como tem louco que não gosta de The Dance of Eternity -, mas acredito que a grande maioria dos fãs vai gostar. Enfim, o instrumental salva a irregular música e a transforma numa das melhores. Não deixa de ser uma pena, pois poderia ser a melhor. Se for pra dar nota... 8.
7. "Far from Heaven” 3:56
É bonitinha, mas o DT já fez diversas melhores nesse estilo. Dificilmente um fã vai preferir a melodia desta música a de “Wait For Sleep” por exemplo. O arranjo de Rudess é interessante, mas o conjunto da obra também ficou inferior ao padrão DT. Se for pra dar nota... 6.
8. "Breaking All Illusions” 12:25
A meu ver, a melhor música do álbum. Com partes extremamente inspiradas e diferentes do que vem sendo feito pelo DT nos últimos anos. O baixo de Myung aparece de forma muito interessante (aliás, coincidência ou não, quase sempre que dão um espaçozinho pra ele... tome música boa). O refrão não é nível top, mas também não é cansativo. Aqui também mais um solo fantástico de Petrucci, com a diferença de ser até mais original que muitos dos anteriores. Se é verdade que o DT possui algumas poucas músicas melhores, também o é que “Breaking All Illusions” é possivelmente umas das top 10 ou 15. E isso quer dizer muito. Se for pra dar uma nota... 9.
9. "Beneath the Surface” 5:26
É mais ou menos o mesmo caso de “Far from Heaven”. Nada contra as lentas do DT, mas não está no nível das antigas. Talvez fosse melhor fechar o cd, em grande estilo, com “Breaking All Illusions”. Se for pra dar uma nota... 6.
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É isso. Repito que não acho o álbum ruim ou algo do tipo. Mas acho que o DT deve prezar menos pela quantidade de músicas e preferir arriscar golpes mais certeiros, digamos assim, pois qualidade eles têm. Enfim, mais um disco aquém do esperado.
Respeitosamente,
Sr. José
(PS: acabo de escutar novamente o "Images & Words". Tem nem comparação. É outra banda)
domingo, 22 de janeiro de 2012
Objeções Rápidas a Um "Interlocutor" Problemático
Um texto rápido de domingo.
Acabo de ler um texto antigo, mas que merece algumas réplicas rápidas.
Quero começar explicando porque chamo o meu "opositor" de problemático. Eu sei que falar mal do cara é uma maneira extremamente besta de argumentar - ainda que todo mundo faça isso quase sempre - , mas nesse caso há uma razão. Conheço bastante o sujeito. Assim, quero colocar, desde já, as principais limitações dele:
a) não percebe que tem muito o que aprender. Ora, eu também tenho, mas sei do tanto que me falta - muito mais do que meu "interlocutor" (esta expressão é até meio injusta no caso) sabe sobre o tanto que falta para ele. Menos porque já li o dobro de livros, artigos etc. que ele do que pelo tanto que eu tenho me empenhado em conseguir soluções práticas para o monte de problemas que ele coloca. (Bom, pelo menos ele vê problemas... E alguns são bem sensatos). É sério. O que mais me irrita é que ele acha o texto dele bom. Não é. Essas minhas "objeções" também são bem mais curtas do que deveriam ser e têm seus limites, mas pelo menos sei disso.
b) acha que tudo que aconteceu é tudo que acontecerá. Não sei se é falta de filosofia ou o que diabo é, mas me incomoda como ele prevê o futuro a partir de um ou outro "fato" que acha dizer tudo sobre o mundo. É como se alguém do século, sei lá, XIX, soubesse tudo que ia acontecer no XXI. "Tudo que a gente vê" não é igual a "tudo que é possível acontecer". Algo perto da famosa percepção filosófica de que não necessariamente o sol vai nascer amanhã, digamos (aquele papo de sono dogmático e tal...). Ademais (e pior), a gente não vê tudo. Às vezes desvalorizamos algum fato antes de (sequer) perceber qual é mesmo o fato. Se é que me faço entender.
c) tava escrevendo como se quisesse ganhar um "curtir" no facebook. Não é tanto o problema da humanidade que lhe incomoda, mas a necessidade "crescer pessoalmente" - pra ser o mais bonzinho possível com ele. Em alguns aspectos, conheço o cara mais do que ele se conhece. Posso dizer isso.
Nada do que escrevi acima vem de qualquer arrogância. Sei sobre quem estou falando. Não tenho raiva dele. Até pelo motivo de que ele não tem muita culpa nos problemas que apontei. Só achei que valia a pena tirar uma hora do meu domingo para contestá-lo.
Vocês já devem saber de quem eu estou falando. Mas vamos a alguns rápidos problemas que vi no texto dele (que está em vermelho).
(Antes, deixo claro que estou sem tempo pra fazer uma análise exaustiva, com dados/estatísticas e tudo mais, sobre cada ponto. Quero só, como disse, colocar rápidas objeções que deveriam levar no mínimo a uma reflexão maior sobre importantes pontos do texto dele.)
Promessa não cumprida, mas agora vai. finalmente ordenei minhas primeiras conclusões (depois de sei la quantos mil debates e leituras) e digitei um texto no Word sobre esse que eh um dos temas mais decisivos e abrangente. vou ate aproveitar esse texto e postar no forum de economia do orkut.
Em primeiro lugar, não é muito importante, mas... No fórum de economia do orkut você vai achar pouca coisa ou nada melhor que panfletos mal feitos de direita e esquerda. Para você ter uma idéia, um dos usuários de lá era Rodrigo Constantino...
Se é pra ficar só na leitura... descobri teorias e argumentações - pro lado de cá ou pro de lá - muito mais interessantes em artigos, livros e até em sites. Mas você gosta de tirar conclusões políticas de discussões de orkut. Pelo menos tem alguma sede mínima por procurar a verdade, isso sempre gostei em você.
Ha um pouco de logica no q (...) disse no inicio do post dele (o fim ele se atrapalhou, mas o começo tem relevancia). O capitalismo ao meu ver ainda eh o pior sistema de organização socioeconomica, com exceção de todos os outros existentes (jargaum, mas eu concordo :) )
Defina "todos os outros existentes". Quais você conhece/conheceu? Não precisa dizer. Eu sei quais você conhece. São apenas dois. E dois bastante parecidos. Nunca ouviu falar sequer no que ocorreu na Guerra Civil Espanhola de 36, ou na Ucrânia em 19... Assim fica fácil concordar com o jargão. Mesmo se o jargão puder ter alguma verdade, ele pouco diz, pois nem todo mundo que se propõe a transformar a realidade deseja repetir caminhos "fracassados". Na verdade, quase ninguém. Há quem aposte em novos caminhos que também levam ao velho "estado das coisas", mas nem sempre é difícil desmascarar esses (falsos?) apostadores.
O socialismo marxista eh um erro politico e economico e ja provou isso. Político pq implica uma ditadura (antes de tudo sou um democrata). Economico pq o controle total dos meios de produção por parte do Estado desestimula a produção tecnológica e gera uma burocratização viciosa da economia. (aconselho a leitura de Historia: origens, estrutras e processos, livro no qual o Luiz koshiba analisa mais profundamente as causas da decadencia do regime socialista). Alem disso, os dirigentes inevitavelmente acabam criando uma aristocracia privilegiada em vários setores afetando afetando inclusive a principal bandeira socialista que é um governo autoritário para possibilitar a inclusão social.
Primeira coisa que você não sabe: os marxistas não se entendem sobre quem é marxista e o que queria o tal do Marx. Segunda coisa que você não sabe: minimamente o que Marx defendia. Isso porque você nunca leu nada de Marx. Eu sei. Terceira - e mais importante - coisa que você não sabe: Marx não é Deus (nem Jesus, nem o Espírito Santo). Logo, ele, no mínimo, não abrange todos os movimentos que se pretendem revolucionários. Você até sabe que existem "outros socialismos", mas confunde-os com capitalismos menos malvados (você não escreveu isso, mas sei sobre o que você pensa).
Você está certo em criticar a burocracia, mas saiba que boa parte das interpretações marxistas era diferente da que Stálin e mesmo Lênin (e mesmo esss dois são diferentes) tinham. Ou seja, a crítica que serviria para provar o "fracasso" de um tal "socialismo marxista" não diz muita coisa sobre este.
Outro erro. Pelo pouco que sei da "ditadura do proletariado" (mais que você), ela sequer tinha como bandeira a "inclusão social". Serviria para preparar caminho para o comunismo e impedir uma contra-revolução. O socialismo não significaria um imediato "De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades". Ele admite um "princípio" menos avançado antes de chegar nisso. O máximo que se pode dizer é que o socialismo pretendia, ao menos, acabar com a exploração da classe capitalista (e, cá pra nós, mesmo essa bandeira era empregada com uma "preguiça" retada). Mas enfim, os problemas maiores são os anteriores.
Alguns defendem o comunismo. Mas segundo marx para se chegar a tal estado de organização seria preciso antes o estágio socialista. O problema nisso eh q a ditadura uma vez constituída não passa para o estado seguinte, pois isso implica a sua dissolução (vide URSS). Logo eh uma utopia. Ainda que realizada a falta de um Estado não resultaria num equilíbrio social. Imagino q individuos logo procurariam estabelecer relações de poder desiguais que trariam de volta todos os problemas do capitalismo. Assim sendo, creio que o papel do Estado é agir no sentido de estreitar as diferenças entre as classes sociais. O grande erro do anarquismo, liberalismo e comunismo eh acreditar na auto-regulação da economia e ate da sociedade (no caso dos anarquistas), que os individuos naum necessitam de um Estado. creio q a importancia de um estado eh inegavel. O negocio eh fazer o Estado funcionar.
Primeiramente, a frase deveria ser "...a ditadura uma vez constituída não passou...". "...Não passa..." é uma regra (ou quis ser uma).
Pra que uma regra seja regra é preciso mais que alguns "testes" quase que igualmente baseados numa interpretação no mínimo contestável das idéias de Marx. Mas, repito, seu principal erro não é esse. Seu erro maior é "enjesuisar" Marx. Para você, parece que só se chega à "revolução" se seguir tudo, literalmente, que Marx falou.
Agora sobre a parte da imaginação...
...Já eu imagino que os indivíduos devem ter um bom motivo para voltar a estabelecer relações de poder desiguais. E você não disse qual é. Pior, não basta um indivíduo querer. Numa sociedade onde não há "relações de poder desiguais" - sua hipótese -, é preciso que a maioria dos indivíduos queira a desigualdade ou ao menos sejam enganados. Caso o contrário, não há desigualdade o suficiente para impor a desigualdade. Logo, tem que haver, no mínimo, uma insatisfaçãozinha geral com alguma coisa e alguma paixão pelo passado cheio de problemas (como é nosso presente). Lembre que estamos falando, aqui, de uma hipotética sociedade igualitária.
Cá pra nós que "igualdade social" é algo relativamente desejável. Tem que haver um bom "contrapeso" pra que a sociedade, uma vez tendo chegado a tal "estágio", resolver voltar pro anterior. A não ser que você acredite que o "modelo novo" não respeita as "elites naturais". Seria o motivo/contrapeso. Pra mim, "elite natural" é bobagem do século XIX. Não quero ser injusto, mas às vezes parece que, lá no fundo, você acredita em algo assim... Se tivesse certeza de que é isso, faria um texto sobre isso.
Algumas afirmações suas são menos problemáticas que essa de que o Estado é imprescindível. Ora, o Estado, além de poder tranquilamente não existir no futuro - há gente na direita e na esquerda defendendo isso ou, no mínimo, deturpações disso -, nem sempre existiu. Pra falar a verdade, sequer é algo muito antigo (se a gente for parar pra pensar). Isso sem mencionar as transmutações estatais. Esse "Estado regulador" que você gosta é tão inviável em larga escala que tem sido desmantelado mesmo onde se constituiu. Por que diabos seria imprescindível?
Você diz que o Estado tem que estreitar as diferenças entre classes. Ora, em primeiro lugar, não é para isso que existe o Estado e quando ele cumpre essa missão é por muita luta e sangue de quem trabalha ou mesmo por necessidade de avanço dos níveis da produtividade (ou as duas coisas juntas - bem comum). Não é sua vontade, não foi criado para isso. No dia em que o Estado trabalhar pelo bem comum dos seus componentes, deverá ser chamado de outra coisa. Já tem em algum lugar algo assim? Não vejo. Em todo lugar que há Estado, há pessoas sem autonomia sobre boa parte das horas de sua vida. E não, elas não assinaram um "pacto social". Foram educadas para um suposto "pacto", extremamente autoritário, vale dizer. Felizmente, nem todas aceitaram isso e, por isso mesmo, há luta todo dia (em que pese a fragmentação). Mesmo pessoas aparentemente passivas não toleram este tal "pacto" (sabendo ou não da existência deste). Estão apenas a espera de uma faísca ou tentando gerá-la de maneiras menos visíveis.
Digamos que você seja a favor de algumas lutas de trabalhadores - e, pra lhe dar uns pontos, você realmente é -, por que eles deveriam reivindicar o "estreitamento entre as classes" e não o "fim das classes". Pra que servem as classes sociais? Qual a justiça presente nelas? Ora, pra falar tido isso que você falou, precisa responder a essas perguntas.
Você diz que é um erro optar pela "auto-regulação" da sociedade. Claro, melhor deve ser a "heterorregulação", sei lá. Alguém regulando a sociedade por ela. Talvez um grupo pequeno de indivíduos, como é hoje. Tem dado muito certo mesmo. Nem devemos tentar nada diferente, pois vem funcionando bem... O pior é que procurei alguma justificativa no texto para tal frase infeliz, mas não encontrei.
Acredito tb que ha de se ter muito cuidado ao ler as ideia de marx, adam smith etc. Numa primeira leitura tudo q eles dizem parece ser verdade, logico, inabalavel. Eh capaz de uma pessoa ler os dois, concordar com tudo o que eles dizem e naum perceber q saum de certa forma antagonicos hehe. (exagero). Por exemplo, quando leio os textos de marx percebo q ele gasta um tempo considerável explicando o contexto histórico que irá lhe ajudar a fundamentar a teoria. na minha opinião, sua analise historica eh realmente perfeita, eu passo a maior parte do texto concordando com ele. Acabo discordando apenas do mais importante q eh a proposta final. Ou seja, o poder de persuasão dele eh muito grande, se uma pessoa lê apenas as ideias de marx certamente será um marxista. O mesmo serve para as ideias liberais. Daí a necessidade de ler varias opiniões divergetes e informações para ter uma opinião própria bem fundamentada.
Que fajuto. Nem Adam Smith você leu mesmo. Leu uma página do livro dele. Importante, vá lá. O exemplo do padeiro. Ainda assim, só uma. E assim como Marx não é representante único do socialismo, Smith não é do capitalismo. Há "socialismos" bem diferentes do de Marx e "capitalismos" bem diferentes do de Smith. Mas enfim, eu já falei sobre isso. Quero falar de outras coisas.
Primeiro, não sei se você quis dizer isso, mas... Smith e Marx não são antagônicos em tudo. No livro I do "O Capital" você vai encontrar várias passagens respeitosas de Marx sobre Smith. Marx aproveita parte da obra de Smith.
Sobre o resto, não é que você esteja totalmente errado. Realmente é importante pra quem quer pensar sobre os problemas sociais ter contato com bastantes idéias. Mas seu erro está no que conheço de você. Explico...
Você acha que isso basta para a pessoa poder "escolher". Ou pior, que a "escolha" da teoria é realmente livre. É óbvio que as pessoas, ao menos as do mundo atual, tendem a ser mais simpáticas às teorias que lhe são mais convenientes. Portanto, uma "opinião própria e bem fundamentada e etc." jamais deve se basear apenas em confrontação de "leituras diversas". Ou seja, nunca deve se basear somente no que "me pareceu mais correto!".
É preciso que se saiba quão repulsivos são, para um indivíduo, raciocínios que impliquem um "cara, tudo que você tem feito nessas dezenas de anos tá errado". "sabe aquilo que lhe dá prazer? Não necessariamente é um prazer lá muito saudável, digamos." Enfim, é preciso ter noção do quanto isso é forte. Como tal noção é quase impossível, é essencial criar algum tipo de, no mínimo, empatia (será que é a melhor palavra?) para com os problemas que não dizem respeito a classe social do "pensador". Digamos que é o "conhece-te a ti mesmo". Saber onde pisa. Todo mundo fala estando em alguma posição.
E não é só. É preciso saber também que idéias, princípios, lógicas, valores e raciocínios que nós temos passaram por um processo de construção coletiva. Isso apesar de cada um considerar "construção minha (do eu)". Mesmo quem está na "classe dominada", digamos, vai reproduzir parcialmente decisões aparentemente "livres" que, em verdade, se baseiam bastante nessas condicionantes todas. Ás vezes nem imaginamos quantas coisas pressupomos ou aceitamos facilmente como verdade. Cabe buscar a decisão pura? Claro que não. Cabe, sim, saber que as decisões são compostas de inúmeras outras decisões - maiores e menores - que às vezes já estão "tomadas/pressupostas" e nem se percebe. "Tomadas/pressupostas", lembre-se, sempre, numa construção coletiva. Isso me parece fundamental pra evitar a ilusão do "é isso que eu penso, é isso que eu escolhi pra mim".
O que eu quero dizer é que eu seria um grande idiota se achasse que sou totalmente sincero comigo mesmo. Mas a verdade - vamos a um momento Igreja Universal do texto - é que tenho tentado ser cada vez mais e talvez tenha melhorado um pouco a cada dia. E creio que isso não custa quase nada pra quem tem o real interesse de pensar/agir sobre os problemas.
Ao contrário do que uma grande parte pensa, o neoliberalismo naum eh a unica maneira de organização capitalista. Acredito que eh outra teoria equivocada (e que infelizmente vem conquistando cada vez mais espaço em nossos dias). Muitos acham que deve-se reduzir a interferencia do Estado por ele ser ineficiente. Por exemplo, no Brasil há uma interferencia razoavel do Estado na economia (carga tributaria de 36% do PIB, algumas estatais etc) e mesmo assim somos um dos 4 paises mais injustos em distribuição de renda. Alguns defendem q a redução do Estado melhoraria esse quadro. Mas acredito q o problema do Brasil eh histórico (elite gananciosa e falta de pressaum popular e governos descomprometidos com a inclusão social). Soh naum vou me aprofundar nesse outro ponto para naum fugir do tema.
Elite, pra ser elite, tem que ser gananciosa. E quem não tá na elite, pra não passar fome, é melhor ser "ganancioso" também. De nenhuma maneira, isso é problema exclusivo do Brasil. Mas enfim, você não quer aprofundar mesmo (não que você tenha aprofundado qualquer coisa anteriormente, e, vale dizer, isso é até bom pro meu texto de hoje, pois também não quero aprofundar nada e muito menos perder muito tempo aqui).
Sobre o resto (Estado/governo e pressão popular), eu meio que já falei. E não só sobre o Brasil.
Ainda falando de exemplos. Pegue Estados interventores (Canadá, Noruega, muitos paises europeus) e veja q neles estão os melhores indices sociais do planeta e indices invejaveis de renda per capita o que mostra uma conjunção impressionante de desenvolvimento tecnologico e justiça social. Isso eh competencia estatal. repito q o problema naum está no Estado e sim em fazê-lo funcionar. Pq a iniciativa privada eh necessariamente mais competente q o Estado? Isso soh acontece se o Estado está preso a politicagens. Lembrando q a epoca dos milagres economicos em diversos paises desenvolvidos se deu sob a égide do estado de Bem-Estar Social que como todos sabem eh intervencionista.
"Milagre econômico" ou algo parecido meio que existiu em todo país que se industrializou. Alguns com mais Estado, outros com menos. Alguns com Estado de Bem-Estar Social, outros com outros tipos. Ademais, o milagre não era tão milagroso assim, já que menos sustentável do que o que se costuma lembrar.
O desenvolvimento tecnológico superior dos países do Norte é anterior a qualquer Estado de Bem-Estar Social. Portanto, pega leve aí com esses mitos. O "status produtivo" de um país qualquer tem muito mais a ver com o processo histórico pelo qual passou. Pode parar pra ver. Acho até que você sabe disso, mas se esqueceu na hora dessa afirmação - isso inclusive remete ao que eu falei na objeção das "idéias convenientes".
Estado de Bem-Estar Social e bons índices sociais não é sinônimo de "competência estatal". É muito mais sinônimo de luta por direitos relacionados ao tal bem-estar. Luta que inicialmente - e até hoje - "merecia" amplos cacetes dos tais burocratas competentes do Estado. Nem sempre espertos o suficiente para se antecipar a estas (ou seja, por vezes o Estado atrasa "a parada" até...).
Assim, se burocratas melhoraram algumas políticas, acho que há de se reconhecer que eles não fizeram isso com alguma espécie de "Eureka", mas sob a pressão dos trabalhadores, a qual desesperava os patrões/políticos.
Ah, vale lembrar: países europeus não são paraísos justos. Longe disso. Exploração existe lá também. Mas você sempre subestimou, por tempo demais até, o significado dessa palavra (até hoje?).
Bom, isso tudo sem falar no uso excessivo - e parcialmente gratuito - de "bens comuns" do planeta feito por esses países que você endeusa. É como querer que Pedro De La Rosa, da Hispânia, consiga acompanhar Felipe Massa, da Ferrari. E olha que você é nacionalista! Eu nem sou e consegui lhe lembra desse fator aí. Ambientalistas que me perdoem, mas esses acordos mundias costumam ser tão injustos que viabilizá-los chega a parecer algo criminoso.
Hoje na epoca do neoliberalismo vivemos tempos de crescimento economico menos vigorosos o que põe em xeque a credibilidade desse sistema. Muitos alegam que isso se dá pq os países ainda não fizeram a transição total para o neoliberalismo. segundo eles, países já em estado avançado de neoliberalismo crescem vigorosamente (EUA, Irlanda etc.) e creditam o sucesso a redução estatal. Eh algo que ainda vou estudar melhor pois pode haver outros fatores interferindo nisso.
Não vou perder tempo com quedas pelo neoliberalismo. Inclusive o texto, como se pode ver (Irlanda e EUA? Só rindo), é anterior a 2008. Fiz recentemente uma pesquisa com inúmeros dados sobre essa "briga" entre "capitalistas interventores" e "capitalistas laissez-faire". A conclusão confirmou minha suspeita: o fato da ordem econômica de um país ser "liberal" ou "intervencionista" tem menos influência no desenvolvimento econômico do que o que qualquer uma das "partes" imagina. As duas estão erradas. Mas essa discussão não me interessa muito.
Alguns teoricos neoliberais como o austriaco naturalizado estadounidense Van Haykel (eu acho) afirmam que a desigualdade social não deve ser combatida por beneficiar a concorr^encia e a busca pelo lucro tendo como consequencia progresso economico. Ao meu ver essa tese alem de desumana eh facilmente desmentida quando observamos os países escandinavos e outros da europa ocidental.
O nome é ...von Hayek, mas isso é o de menos. Você está certo quanto a Hayek. Eu diria hoje muito mais contra ele. Até pelo motivo de que conheço, bem mais que você - e menos do que gostaria/preciso -, algumas teorias dele e mesmo outras que mostram o quanto as dele estão erradas. Isso sem mencionar os dados e estudos estatísticos sobre o assunto que tenho e você não tem. Mas enfim, deixa pra lá, você está certo.
As ideias liberais soh naum saum taum sedutoras quanto as de marx por naum enfocarem a questão social, mas sem duvidas consegue muitos adeptos que estaum interessados no beneficio individual q essa teoria pode trazer (o que eh uma pena). A ideia de atividades economicas cada vez mais livres de impostos, menos encargos sociais e mais poder a iniciativa privada agradam bastante a burguesia desinteressada com o coletivo. Pois ao meu ver isso traz necessariamente concentração de renda. Não posso entender como a teoria neoliberal diminuiria as abruptas diferenças sociais. Haykel sugeriu não combatê-las (espero que naum deem muito ouvido a ele), Smith disse que a distribuição de renda viria naturalmente (as fantasticas "leis do mercado" hehe. me desculpe, parece muita ingenuidade), o resultado dessa "naturalidade" foi a quebra da bolsa em 29, a formação de trustes e carteis e até a explosão de metodos ilicitos de enriquecimento. Não, naum existe essa auto-regulagem. Mas voltando ao assu to crescimento economico, eh bom lembrar q afirmam que a Argentina quebrou mesmo seguindo boa parte do receituário neoliberal. Tb naum analisei muito bem isso, mas seria o contrario dos exemplos citados a favor.
Incrível você não ter percebido que sua defesa do Estado de Bem-Estar Social pode ter algo a ver com o mesmo "benefício individual" de que se utiliza para acusar os liberais de fazerem escolhas contestáveis. É aquela história. Você parece acreditar demais que suas escolhas são livres.
Obviamente minhas análises e reflexões estão sujeitas a críticas e mudanças devido a própria complexidade do tema, mas essa eh a impressão que eu tenho atualmente. Que o segredo seria dosar liberalismo e socialismo para criar o meio-termo. Chamem de Estado de bem estar social, social-democracia, terceira via o que for. Ainda pretendo me aprofundar mais no pensamento de John Nash (assistam "Uma mente brilhante", pelo que notei ele se contrapõe a Adam Smith tb)
Paralelamente a toda essa discussão macroeconomica eh preciso ressaltar q a educação eh indispensável para trazer o desenvolvimento sustentavel ao Brasil, seja la que politica economica seja adotada. Mas o nosso modelo educacional jah eh outro assunto a ser discutido. Acredito q menor superavit primario, reforma da previdencia de verdade, emprestimo com FMI, remanejamento de verbas, qualquer coisa eh valida desde que se consiga mais recursos para a educação (porem o mais importante eh saber aproveitar esses recursos e naum deixar q sejam desviados por corrupção, o maior crime que se pode cometer). Na educação eh que está a verdadeira revolução.
Impressão? Não foi uma mera impressão. Você diz até qual o caminho para a "revolução" - e erra, porque não vejo como se falar em revolução sem trazer o debate, inexistente no seu texto, sobre autonomia. É muita coisa pra uma mera impressão...
...Pensando bem. Estou sendo excessivamente ranzinza com você (que nem treplicar pode mais). Uma coisa que você disse aí realmente era verdade. Estava sendo sincero consigo mesmo quando falou que estava aberto a mudanças, reconhecendo a complexidade do tema. Não à toa você tem mudado - e tomara que mude mais. Prova disso é que acaba de se irritar com um texto seu de final de 2004. Mas enfim, relaxa e aproveita o domingo.